Aviação de Transporte

Aviação de Transporte

O uso do Transporte Aéreo passou por seus primeiros testes na II Guerra Mundial, em 1942, quando elementos da 12ª Força Aérea (EUA) voaram da Inglaterra para a Argélia, lançando tropas em apoio à invasão da África. Os resultados encorajadores obtidos levaram a Operações Aéreas semelhantes na Itália – nas campanhas da Sicília e Palermo – e, finalmente, aos lançamentos em massa na Normandia, caracterizando a missão de Lançamento de Pessoal.

Com o potencial da Aviação de Transporte ratificado por experiências adquiridas em operações de guerra, estimulou-se o desenvolvimento de técnicas e equipamentos mais requintados, que culminaram com o surgimento de aeronaves especialmente projetadas para esse fim.

No Brasil, com o advento das Unidades Paraquedistas no Exército Brasileiro, o então Ministério da Aeronáutica atribuiu, inicialmente, a uma das Unidades de Transporte Aéreo existentes, o 2º Grupo de Transporte (2º GT), baseado no Campo dos Afonsos, então equipado com aeronaves C-47, a missão de assegurar o apoio aéreo necessário ao treinamento e ao emprego daquelas Unidades, complementarmente às missões já previstas para esta Unidade Aérea.

A data 12 de junho celebra a Aviação de Transporte da FAB em homenagem a uma de suas mais célebres missões: o Correio Aéreo Nacional (CAN). Neste dia, em 1931, os Tenentes Nelson Freire Lavenére Wanderley e Casemiro Montenegro Filho realizaram aquele que foi considerado o primeiro voo do CAN da história. A bordo de um Curtiss Fledgling K-263 saíram do Rio de Janeiro (RJ) e levaram um malote com duas cartas até São Paulo (SP).

As três últimas décadas trouxeram substanciais evoluções para a doutrina de emprego da Aviação de Transporte, muitas dessas oportunidades tiveram por base a presença em exercícios internacionais com outras Forças Aéreas bem experientes na condução de missões de guerra e de manutenção de paz.

Com a participação do KC-137 do 2º/2º GT no Exercício RED FLAG, nos Estados Unidos, em 2008, cumprindo missões de REVO em apoio ao 1º/14º GAV, o Esquadrão Corsário alcançou uma das maiores marcas em reabastecimento em voo da história, obtendo 95% de aproveitamento das surtidas. Cumprindo duas missões diárias e com os pilotos se revezando entre briefings e voos, a Unidade Aérea superou a marca de todos os aviões-tanque participantes do exercício (Tanker Force), fato muito ressaltado e elogiado pela Direção do Exercício (DIREX).

Somado a isso, a entrada em serviço de novas aeronaves mais tecnológicas, como o C-105; a modernização do C-130; assim como o desenvolvimento do KC-390 impeliram as equipes a explorar as capacidades desses novos recursos de forma a maximizar a prestação do serviço e torná-lo mais eficaz, eficiente e seguro perante cenários da geopolítica presente no mundo de hoje.

Assim, mediante a disciplina de Guerra Eletrônica e de Análise Operacional, absorvidas mediante equipes de transporte capacitadas no ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), verificou-se a geração de doutrinas de emprego vocacionadas e com ênfase nos sistemas defensivos presentes no C-105 e C-130 que, em muito, foram exportadas para o KC-390, a exemplo dos conhecimentos sobre os sistemas de autodefesa, de comunicações seguras e de NVG (óculos de visão noturna).

Em 2012, a FAB participou do exercício multinacional MAPLE FLAG 45, na cidade canadense de Cold Lake. Na oportunidade, uma aeronave C-130 do 1º GTT foi empregada em Missões de Assalto Aeroterrestre, como parte integrante das forças de coalizão (AIRLIFT FORCE), à mercê do sistema defensivo integrado característico de um oponente militar de Primeiro Mundo. Os sistemas de autodefesa da aeronave foram postos à prova, assim como as táticas de evasiva. Naquele cenário tático, foi possível praticar menores valores de navegação à baixa altura e maiores velocidades. Pela primeira vez, aplicaram-se técnicas de manobras evasivas com flare e chaff que, se somadas à navegação de contorno das curvas de nível do terreno (LOW CONTOUR), propiciam o despistamento de radares de aquisição e Unidades de Tiro de mísseis de ombro (MANPADS).

A MAPLE FLAG 45 representou o incentivo final para a revisão geral da doutrina de emprego da Aviação de Transporte para o padrão atual utilizado pela AIRLIFT FORCE de países experimentados em campanhas aéreas em zonas de combate críticas ao redor do globo, diante da política de atuação externa brasileira frente às missões de paz sob a égide da ONU.

No ano de 2013, ocorreu a participação da Aviação de Transporte no Exercício CRUZEX FLIGHT, o qual contou com as seguintes UAE dessa Aviação: do Brasil, 1º GTT, 1º/1º GT, 1º/9º GAV e 1º/15º GAV; do Canadá, dois CC-130J do 436(T)SQD; e da Colômbia, um KC-767 do Grupo Aéreo 10. O emprego principal desses meios foi baseado na aplicação da metodologia de missões aéreas compostas (COMAO), para as quais a Aviação de Transporte da FAB ainda necessitava de maior participação e adestramento.

Dessa maneira, e contando com a presença estrangeira, foi possível concretizar uma das maiores oportunidades de intercâmbio operacional pós MAPLE FLAG 2012, culminando com a reedição do MCA 55-20 “Manual de Preparo e Emprego da Aviação de Transporte”, tornando-o o que há de mais atualizado no que se refere às táticas e técnicas hoje empregadas pelas AIRLIFT FORCES da OTAN e de Forças Aéreas a serviço da ONU ao redor do mundo, o que diminuiu consideravelmente a distância doutrinária anteriormente existente entre a FAB e elas quando da necessidade de se operar conjuntamente.

Já em 2017, o exercício multinacional AIR MOBILITY GUARDIAN, na base da USAF de McCHORD, Tacoma-WA, o 1º/15º GAV atuou com uma aeronave C-105 (FAB 2806) em Ações de Transporte Aéreo Logístico e de Assalto Aeroterrestre com ênfase na execução de táticas de NBA e modalidade de lançamento aéreo CDS, assim como a participação em missões de Pacote e voos em formação com os C-130J da USAF. Tudo vocacionado à utilização de uma Força de Coalizão em um atendimento humanitário em função de desastre natural de grandes proporções.

Relevante também é a aplicação da Aviação de Transporte do Brasil em diversas missões de emprego real, como o transporte de mantimentos, remédios e água potável no Haiti (terremoto em 2010); o transporte de suprimentos dos Pelotões de Fronteira do Exército na Amazônia e Pantanal; o transporte de órgãos para transplante em diversas regiões do País; o repatriamento de brasileiros do Suriname, do Líbano e do Equador, dentre outras.

Atualmente (2018), existem 14 unidades aéreas de emprego da Aviação de Transporte na Força Aérea Brasileira, que são equipadas com modelos C-767, C-130, KC-130, C-105, C-99, C-97, C-98, C-95 e U-35, estando sediadas nas cidades de Manaus, Belém, Natal, Rio de Janeiro, Canoas, Campo Grande e Brasília.

Missões da Aviação de Transporte

Os Esquadrões de Transporte podem exercer Ações em espaço aéreo nacional ou internacional, tais como: Assalto Aeroterrestre, Busca e Salvamento, Evacuação Aeromédica, Exfiltração Aérea, Infiltração Aérea, Reabastecimento em Voo, Transporte Aéreo Logístico, Combate a Incêndio em Voo, Transporte Especial, Demonstração Aérea, além de missões especiais.

 

Canção da Aviação de Transporte de Tropa

(Aprovada pela Port. Nº 119/ GM3, de 20 de janeiro de 1984)

Letra: Brig Ar Ivan Moacyr Frota

Música: 3S QIG MUS Bartholomeu Sérgio de Alcântara Silva

Lançar! Suprir! Resgatar!

Lançar! Suprir! Resgatar!

Aviação de Transporte de Tropa

Teu destino é voar e lutar

Junto ao paraquedista teu irmão

Pela pátria a vitória alcançar.

Tuas asas conduzem mais longe

As cores tão vivas de tua bandeira

Com as forças de ar, terra e mar

Levar à glória a Nação Brasileira.

ESTRIBILHO

Lançar, suprir, resgatar

Brado de vibração

Lançar, suprir, resgatar

Nossa sagrada missão.

Atualmente (2018), existem 14 unidades aéreas de emprego da Aviação de Transporte na Força Aérea Brasileira, que são equipadas com modelos C-767, C-130, KC-130, C-105, C-99, C-97, C-98, C-95 e U-35, estando sediadas nas cidades de Manaus, Belém, Natal, Rio de Janeiro, Canoas, Campo Grande e Brasília.

Missões da Aviação de Transporte

Os esquadrões podem exercer Ações em espaço aéreo nacional ou internacional, tais como: Assalto Aeroterrestre, Busca e Salvamento, Evacuação Aeromédica, Exfiltração Aérea, Infiltração Aérea, Reabastecimento em Voo, Transporte Aéreo Logístico, Combate a Incêndio em Voo, Transporte Especial, Demonstração Aérea, além de missões especiais.